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Voz2020-11-29T00:06:27+00:00

Project Description

Voz

A Voz é um dos elementos centrais da comunicação humana, estando presente nas mais variadas formas de expressão e interação em contextos sociais, profissionais e artísticos. Assim, ter uma voz saudável contribui para a qualidade de vida e para a funcionalidade comunicativa.

A produção vocal é uma experiência única e individual. Cada um de nós expressa-se vocalmente de acordo com as características da sua condição física, da constituição psicológica e ainda de acordo com o meio em que vivemos. Comunicar pensamentos e emoções é um dos eventos mais importantes do ser humano, a base de sobrevivência psicológica e social, e a voz constitui-se como o seu principal veículo. No sentido mais lato, a voz, pode ser definida fisiologicamente como um som audível resultante da atividade laríngea, com inter-relação complexa entre pressão e velocidade do fluxo de ar expiratório (influenciam a intensidade), os diferentes padrões de adução e abdução das pregas vocais (influenciam a sonoridade) e as propriedades de reflexão e configuração das estruturas do trato vocal (influenciam a ressonância).

A disfonia, ou perturbação da voz, é uma condição de saúde muito comum que pode comprometer a qualidade da comunicação e, consequentemente, a relação social do indivíduo, afetando diretamente a sua qualidade de vida, podendo ocorrer em qualquer altura do ciclo de vida O impacto de uma alteração vocal na qualidade de vida depende da importância da voz relacionada a diversos fatores particulares, inclusive seu uso na profissão, sem necessariamente apresentar relação direta com o grau da disfonia.

O Departamento de Voz da SPTF é o responsável pela dinamização da evolução do conhecimento das perturbações da voz em crianças, jovens e adultos. É constituído por um grupo de profissionais que pretende promover o aumento da qualidade e quantidade de produção científica por parte dos pares e outros profissionais de áreas afins à terapia da fala, com o intuito de fomentar a reflexão, partilha e aprendizagem para um apoio mais eficaz a pessoas com perturbação da voz e suas famílias, contribuindo para a adoção de práticas baseadas na evidência.

Atendimento presencial – SARS-Covid 19

No âmbito da pandemia da doença COVID-19, tendo em consideração as medidas adotadas pela República Portuguesa durante as fases de contenção, mitigação e recuperação,  os diversos locais de trabalho em que os terapeutas da fala (TF) prestam serviços, tiveram que se ajustar a normas especiais de higiene e segurança, bem como de distanciamento social.

Os Terapeutas da Fala com atuação na área de voz apresentam risco acrescido dado estarem em contacto próximo e expostos diretamente a gotículas vindas dos pacientes, nas atividades de fala e exercícios usualmente solicitados durante a avaliação e/ou intervenção, pelo que deverão ajustar-se ao risco relativo de cada situação e adotar medidas de proteções adequadas.

Medidas de higiene e segurança na área da Voz

Orientações gerais

Assente nas normas Direção Geral de Saúde (DGS):

  • Cada Entidade deve seguir as medidas definidas no seu Plano de Contingência interno.
  • O profissional deve receber formação adequada para o uso correto do Equipamento de Proteção Individual (EPI);
  • A avaliação/intervenção dos profissionais de saúde deve ser garantidamente realizada com a utilização de EPI de acordo com o nível de cuidados a prestar, em conformidade com a Norma 007/2020 da DGS.
  • A ausência total de cuidados de reabilitação poderá ter impacto negativo a curto/médio prazo para aqueles doentes, com elevado risco de diminuição da sua capacidade funcional/estado de saúde.
    • A análise do risco de infeção da intervenção deverá ser calculada em cada serviço, de acordo com as funções do terapeuta da fala e das áreas de intervenção que assegura.
    • Na generalidade das áreas de intervenção da terapia da fala, no quadro de pandemia a terapia vocal presencial não é prioritária na prevenção da infeção, pelo que poderá ser adiada.
  • Enquadra-se, assim, nesta orientação a terapia vocal, dado vários procedimentos de avaliação e intervenção gerarem aerossóis. São exemplos disto: produção de atividades de avaliação da coordenação respiração-fonação (p.e. TMF, Coeficiente S/Z), ou outros procedimentos como desinsuflar cuf, estimular a tosse, adaptação de válvula de fala (Passymuir), troca de cânulas, limpeza da prótese fonatória, processo de descanulação, avaliação ou intervenção em pacientes que utilizem ventilação não invasiva (VNI); oxigênio nasal de alto fluxo; suporte respiratório por cânulas nasais.
  • Num paciente com COVID-19, e só no caso de ser imprescindível, a realização procedimentos que promovam a libertação de aerossóis só poderão ser efetuados com a utilização de EPI completo, de acordo com as indicações da OMS e da DGS em cada fase de controlo da pandemia. Em linha com as especificidades da área de Otorrinolaringologia (https://www.sporl.pt/covid19), à data da elaboração deste documento incluem-se, máscaras, respiradores FFP2 ou FFP3  e viseira ou óculos, bata descartável, luvas, proteção de calçado e touca (ver quadro abaixo).
Máscara cirúrgicaProteção ocularMáscara FFP2/3Bata impermeávelLuvasTouca
Doente sem sintomas respiratórios e sem exame objetivoX
Doente sem sintomas respiratórios e com exame objetivo que não inclua a via aérea (ex. avaliação percetiva)XXXXX
Doente com sintomas respiratórios agudosXXXXX
Doente que vai ter exame clínico da via aérea (ex. exame de estruturas orofaciais, reflexos orais, etc.)XXXXX
Doente que vai ter exame endoscópico da via aérea (ex. colaboração em laringoscopia ou VEES)XXXXX

Fonte: Adaptado de SPORL-CCP (2020) Recomendações relativas ao risco de infeção pelo COVID-19 [https://www.sporl.pt/covid19]

  •  Se o procedimento clínico não puder ser modificado e se o EPI apropriado não estiver disponível, a interação clínica não deverá prosseguir.

Assim, e ainda seguindo as normas da DGS, deve ser realizada:

  • Avaliação das necessidades individuais de todos os utentes de forma a reduzir o número de contactos presenciais ao mínimo possível;
  • Adequação do plano de cuidados de reabilitação, sempre que possível sem contacto direto com o doente, por meio de ensino de exercícios terapêuticos ou através de sistemas de monitorização e acompanhamento por videochamada (regime híbrido associado a sistemas de telemedicina, telesaúde e e-health).

Deverão ser adotadas medidas suplementares como:

  • Cancelar terapias de nível de prioridade baixa de acordo com plano de contingência DGS e dar preferência à teleprática;
  • Se existir mais do que um TF, apenas um deve ficar afeto a doentes COVID-19, procurando medidas de não cruzamento de equipas/profissionais e de períodos de quarentena/descanso, em rotatividade com outros profissionais. Por outro lado, os restantes devem dedicar-se a doentes não-COVID-19;
  • Outras medidas específicas deverão ser adotadas dependendo da presença ou ausência de suspeita ou confirmação de COVID-19, de acordo com os pontos abaixo indicados;
  • Sempre que a evolução epidemiológica e científica demonstre a necessidade de implementação de novas medidas a presente orientação é atualizada em conformidade com diretrizes da DGS.

Cuidados prestados a utentes não suspeitos ou não testados de COVID-19

Medidas gerais

  • Todos os utentes deverão ter uma medição da temperatura à chegada ao serviço (em concordância com os procedimentos de receção e triagem definidos pela instituição), prévia à consulta de terapia da fala;
  • Todos os utentes deverão usar máscara cirúrgica desde a chegada e durante a permanência na unidade de saúde, incluindo a consulta de terapia da fala;
  • Na conversação, o terapeuta da fala deve proteger-se com máscara cirúrgica e luvas e manter distância de segurança (2 m);
  • Durante a consulta deverá reduzir-se a duração de contacto próximo;
  • A realização de exercícios que envolvam expiração forçada, sopro ou produção de gotículas ou aerossóis deve ser evitada. Caso seja essencial a sua realização o utente deverá manter o uso de máscara cirúrgica e o terapeuta deverá posicionar-se a distância de segurança (2 m).
  • Deverá realizar os procedimentos de higiene e segurança de acordo com o apresentado no seguinte vídeo:
Vídeo 1
Vídeo 2

Medidas específicas na prestação de cuidados a Traqueotomizados/ Laringectomizados

  • Devem cobrir sempre o estoma, o nariz e a boca com máscaras cirúrgicas, no ambiente hospitalar e/ ou fora do domicílio independentemente de ser traqueotomizado/ laringectomizado;
  • Todos os traqueotomizados/ laringectomizados devem usar um dispositivo de humidificação, aquecimento e filtração de ar (vulgo HME), por exemplo o HME Micron® ou o ProTrach® XtraCare™ para adaptação na cânula Shiley® ou equivalentes e se possível o adesivo (ambos os dispositivos referidos protegem contra bactérias e vírus acima de 99%);
vídeo
vídeo
  • Ao usar-se o HME [por exemplo, Xtramoist™, Xtraflow™ ou Cassete™ – HME que fixa à válvula de mãos livres] deverá usar-se máscara cirúrgica sobre o estoma;
  • Qualquer tipo de dispositivo fixado à cânula não isenta o uso de máscara cirúrgica sobre o estoma pois não é estanque como o adesivo;
  • Os utentes devem higienizar as mãos antes e depois do contacto destas com o estoma;
  • Aos utentes com prótese fonatória e que assim tenham condições, sugere-se utilizar a válvula de mãos livres para minimizar o contacto das mãos com o estoma;
  • As manobras como a desinsuflação de cânulas e/ou descanulação são geradoras de aerossóis, pelo que devem ser evitadas ou realizadas com as devidas medidas de proteção e com as devidas medidas de higienização das salas de intervenção.

Cuidados prestados a pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19

De acordo com as normas gerais da DGS anteriormente descritas, num paciente com COVID-19, e só no caso de ser imprescindível, a realização de procedimentos que promovam a libertação de aerossóis só poderá ser efetuada com a utilização de EPI completo (nível 2). Neste enquadramento, considera-se que a terapia da voz deverá ser preferencialmente adiada, dado não se tratar de um cuidado de saúde prioritário.

Medidas gerais

Em casos absolutamente excecionais, havendo necessidade de o terapeuta da fala prestar cuidados dentro de uma área de doentes de COVID-19, este deverá:

  • Usar EPI adequado (Norma nº 007/2020) em qualquer atividade durante todo o tempo de permanência na área COVID-19;
  • Evitar contacto próximo;
  • Reduzir o tempo de exposição;
  • Realizar os seguintes procedimentos de higiene e segurança, de acordo com o vídeo exemplificativo:
vídeo

Medidas específicas na prestação de cuidados a Traqueotomizados/ Laringectomizados

  • Os doentes traqueotomizados/ laringectomizados devem cumprir todos os cuidados descritos anteriormente, similarmente aos utentes não suspeitos ou não testados;
  • Os doentes traqueotomizados/ laringectomizados suspeitos ou confirmados com COVID19, devem usar, para além do HME, uma máscara cirúrgica;
  • A adaptação de válvula Passymuir® ou válvula de fala nos pacientes com Covid está contraindicada.

A EQUIPA: DEPARTAMENTO DA VOZ

André Araújo
Coordenador
Sónia Lima
Vice-Coordenador
Ana Paula Batista
Membro
Gabriela Torrejano
Membro
Pedro Pestana
Membro

EVENTOS: VOZ

16 Abril 2020 DIA MUNDIAL DA VOZ

Adequando as comemorações do Dia Mundial da Voz à atual situação de pandemia que todos vivemos, o DIA MUNDIAL DA VOZ 2020 será totalmente comemorado online com um programa de parceria entre a SPTF e a Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia. Associe-se a nós!

21 de Setembro 2019 Tensão muscular relacionada com Perturbações da voz e da deglutição

Quantas vezes em situação de intervenção vocal, o terapeuta ouve “eu não tenho problemas em deglutir, apenas sinto uma pressão quando o faço, como se a comida ficasse presa na garganta”. Geralmente relacionamos estas queixas com Refluxo Esofágico, mas se algo mais estiver a acontecer? Todos já ouvimos falar de Disfonia por Tensão Muscular, Christina Kang leva-nos ao mundo da Disfagia por Tensão Muscular. Christina através da sua prática com estes casos, compartilha como podemos ter em conta a sintomatologia na função da deglutição para a avaliação da qualidade de vida dos utentes.

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Participe ativamente na evolução científica da terapia da fala!

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