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VOZ2020-08-07T11:30:06+00:00

Project Description

Voz

A Voz é um dos elementos centrais da comunicação humana, estando presente nas mais variadas formas de expressão e interação em contextos sociais, profissionais e artísticos. Assim, ter uma voz saudável contribui para a qualidade de vida e para a funcionalidade comunicativa.

A produção vocal é uma experiência única e individual. Cada um de nós expressa-se vocalmente de acordo com as características da sua condição física, da constituição psicológica e ainda de acordo com o meio em que vivemos. Comunicar pensamentos e emoções é um dos eventos mais importantes do ser humano, a base de sobrevivência psicológica e social, e a voz constitui-se como o seu principal veículo. No sentido mais lato, a voz, pode ser definida fisiologicamente como um som audível resultante da atividade laríngea, com inter-relação complexa entre pressão e velocidade do fluxo de ar expiratório (influenciam a intensidade), os diferentes padrões de adução e abdução das pregas vocais (influenciam a sonoridade) e as propriedades de reflexão e configuração das estruturas do trato vocal (influenciam a ressonância).

A disfonia, ou perturbação da voz, é uma condição de saúde muito comum que pode comprometer a qualidade da comunicação e, consequentemente, a relação social do indivíduo, afetando diretamente a sua qualidade de vida, podendo ocorrer em qualquer altura do ciclo de vida O impacto de uma alteração vocal na qualidade de vida depende da importância da voz relacionada a diversos fatores particulares, inclusive seu uso na profissão, sem necessariamente apresentar relação direta com o grau da disfonia.

O Departamento de Voz da SPTF é o responsável pela dinamização da evolução do conhecimento das perturbações da voz em crianças, jovens e adultos. É constituído por um grupo de profissionais que pretende promover o aumento da qualidade e quantidade de produção científica por parte dos pares e outros profissionais de áreas afins à terapia da fala, com o intuito de fomentar a reflexão, partilha e aprendizagem para um apoio mais eficaz a pessoas com perturbação da voz e suas famílias, contribuindo para a adoção de práticas baseadas na evidência.

Teleprática nas Perturbações da Voz: evidência científica

O Departamento de voz organizou um capítulo do ebook “Teleprática  em Terapia da Fala“, que estará brevemente disponível, onde apresenta, detalhadamente, a evidência científica que suporta a teleprática nesta área clínica, tendo como referenciais a taxonomia de Van Stan et al. (2015), bem como estudos recentes sobre a intervenção na área da voz à distância (Constantinescu G. et al. 2011; Towey M.P. 2012; Grillo E.U. 2017; Little M.A., et al.; Rangarathnam B.; Santos T.D.; Sherry F.S. et al. 2015). Para mais informação, consulte o separador Teleprática em Terapia da Fala.

Este ebook é exclusivo para associados SPTF.

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Atendimento presencial – SARS-Covid 19

No âmbito da pandemia da doença COVID-19, tendo em consideração as medidas adotadas pela República Portuguesa durante as fases de contenção, mitigação e recuperação,  os diversos locais de trabalho em que os terapeutas da fala (TF) prestam serviços, tiveram que se ajustar a normas especiais de higiene e segurança, bem como de distanciamento social.

Os Terapeutas da Fala com atuação na área de voz apresentam risco acrescido dado estarem em contacto próximo e expostos diretamente a gotículas vindas dos pacientes, nas atividades de fala e exercícios usualmente solicitados durante a avaliação e/ou intervenção, pelo que deverão ajustar-se ao risco relativo de cada situação e adotar medidas de proteções adequadas.

Medidas de higiene e segurança na área da Voz

Orientações gerais

Assente nas normas Direção Geral de Saúde (DGS):

  • Cada Entidade deve seguir as medidas definidas no seu Plano de Contingência interno.
  • O profissional deve receber formação adequada para o uso correto do Equipamento de Proteção Individual (EPI);
  • A avaliação/intervenção dos profissionais de saúde deve ser garantidamente realizada com a utilização de EPI de acordo com o nível de cuidados a prestar, em conformidade com a Norma 007/2020 da DGS.
  • A ausência total de cuidados de reabilitação poderá ter impacto negativo a curto/médio prazo para aqueles doentes, com elevado risco de diminuição da sua capacidade funcional/estado de saúde.
    • A análise do risco de infeção da intervenção deverá ser calculada em cada serviço, de acordo com as funções do terapeuta da fala e das áreas de intervenção que assegura.
    • Na generalidade das áreas de intervenção da terapia da fala, no quadro de pandemia a terapia vocal presencial não é prioritária na prevenção da infeção, pelo que poderá ser adiada.
  • Enquadra-se, assim, nesta orientação a terapia vocal, dado vários procedimentos de avaliação e intervenção gerarem aerossóis. São exemplos disto: produção de atividades de avaliação da coordenação respiração-fonação (p.e. TMF, Coeficiente S/Z), ou outros procedimentos como desinsuflar cuf, estimular a tosse, adaptação de válvula de fala (Passymuir), troca de cânulas, limpeza da prótese fonatória, processo de descanulação, avaliação ou intervenção em pacientes que utilizem ventilação não invasiva (VNI); oxigênio nasal de alto fluxo; suporte respiratório por cânulas nasais.
  • Num paciente com COVID-19, e só no caso de ser imprescindível, a realização procedimentos que promovam a libertação de aerossóis só poderão ser efetuados com a utilização de EPI completo, de acordo com as indicações da OMS e da DGS em cada fase de controlo da pandemia. Em linha com as especificidades da área de Otorrinolaringologia (https://www.sporl.pt/covid19), à data da elaboração deste documento incluem-se, máscaras, respiradores FFP2 ou FFP3  e viseira ou óculos, bata descartável, luvas, proteção de calçado e touca (ver quadro abaixo).
Máscara cirúrgica Proteção ocular Máscara FFP2/3 Bata impermeável Luvas Touca
Doente sem sintomas respiratórios e sem exame objetivo X
Doente sem sintomas respiratórios e com exame objetivo que não inclua a via aérea (ex. avaliação percetiva) X X X X X
Doente com sintomas respiratórios agudos X X X X X
Doente que vai ter exame clínico da via aérea (ex. exame de estruturas orofaciais, reflexos orais, etc.) X X X X X
Doente que vai ter exame endoscópico da via aérea (ex. colaboração em laringoscopia ou VEES) X X X X X

Fonte: Adaptado de SPORL-CCP (2020) Recomendações relativas ao risco de infeção pelo COVID-19 [https://www.sporl.pt/covid19]

  •  Se o procedimento clínico não puder ser modificado e se o EPI apropriado não estiver disponível, a interação clínica não deverá prosseguir.

Assim, e ainda seguindo as normas da DGS, deve ser realizada:

  • Avaliação das necessidades individuais de todos os utentes de forma a reduzir o número de contactos presenciais ao mínimo possível;
  • Adequação do plano de cuidados de reabilitação, sempre que possível sem contacto direto com o doente, por meio de ensino de exercícios terapêuticos ou através de sistemas de monitorização e acompanhamento por videochamada (regime híbrido associado a sistemas de telemedicina, telesaúde e e-health).

Deverão ser adotadas medidas suplementares como:

  • Cancelar terapias de nível de prioridade baixa de acordo com plano de contingência DGS e dar preferência à teleprática;
  • Se existir mais do que um TF, apenas um deve ficar afeto a doentes COVID-19, procurando medidas de não cruzamento de equipas/profissionais e de períodos de quarentena/descanso, em rotatividade com outros profissionais. Por outro lado, os restantes devem dedicar-se a doentes não-COVID-19;
  • Outras medidas específicas deverão ser adotadas dependendo da presença ou ausência de suspeita ou confirmação de COVID-19, de acordo com os pontos abaixo indicados;
  • Sempre que a evolução epidemiológica e científica demonstre a necessidade de implementação de novas medidas a presente orientação é atualizada em conformidade com diretrizes da DGS.

Cuidados prestados a utentes não suspeitos ou não testados de COVID-19

Medidas gerais

  • Todos os utentes deverão ter uma medição da temperatura à chegada ao serviço (em concordância com os procedimentos de receção e triagem definidos pela instituição), prévia à consulta de terapia da fala;
  • Todos os utentes deverão usar máscara cirúrgica desde a chegada e durante a permanência na unidade de saúde, incluindo a consulta de terapia da fala;
  • Na conversação, o terapeuta da fala deve proteger-se com máscara cirúrgica e luvas e manter distância de segurança (2 m);
  • Durante a consulta deverá reduzir-se a duração de contacto próximo;
  • A realização de exercícios que envolvam expiração forçada, sopro ou produção de gotículas ou aerossóis deve ser evitada. Caso seja essencial a sua realização o utente deverá manter o uso de máscara cirúrgica e o terapeuta deverá posicionar-se a distância de segurança (2 m).
  • Deverá realizar os procedimentos de higiene e segurança de acordo com o apresentado no seguinte vídeo:
Vídeo 1
Vídeo 2

Medidas específicas na prestação de cuidados a Traqueotomizados/ Laringectomizados

  • Devem cobrir sempre o estoma, o nariz e a boca com máscaras cirúrgicas, no ambiente hospitalar e/ ou fora do domicílio independentemente de ser traqueotomizado/ laringectomizado;
  • Todos os traqueotomizados/ laringectomizados devem usar um dispositivo de humidificação, aquecimento e filtração de ar (vulgo HME), por exemplo o HME Micron® ou o ProTrach® XtraCare™ para adaptação na cânula Shiley® ou equivalentes e se possível o adesivo (ambos os dispositivos referidos protegem contra bactérias e vírus acima de 99%);
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  • Ao usar-se o HME [por exemplo, Xtramoist™, Xtraflow™ ou Cassete™ – HME que fixa à válvula de mãos livres] deverá usar-se máscara cirúrgica sobre o estoma;
  • Qualquer tipo de dispositivo fixado à cânula não isenta o uso de máscara cirúrgica sobre o estoma pois não é estanque como o adesivo;
  • Os utentes devem higienizar as mãos antes e depois do contacto destas com o estoma;
  • Aos utentes com prótese fonatória e que assim tenham condições, sugere-se utilizar a válvula de mãos livres para minimizar o contacto das mãos com o estoma;
  • As manobras como a desinsuflação de cânulas e/ou descanulação são geradoras de aerossóis, pelo que devem ser evitadas ou realizadas com as devidas medidas de proteção e com as devidas medidas de higienização das salas de intervenção.

Cuidados prestados a pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19

De acordo com as normas gerais da DGS anteriormente descritas, num paciente com COVID-19, e só no caso de ser imprescindível, a realização de procedimentos que promovam a libertação de aerossóis só poderá ser efetuada com a utilização de EPI completo (nível 2). Neste enquadramento, considera-se que a terapia da voz deverá ser preferencialmente adiada, dado não se tratar de um cuidado de saúde prioritário.

Medidas gerais

Em casos absolutamente excecionais, havendo necessidade de o terapeuta da fala prestar cuidados dentro de uma área de doentes de COVID-19, este deverá:

  • Usar EPI adequado (Norma nº 007/2020) em qualquer atividade durante todo o tempo de permanência na área COVID-19;
  • Evitar contacto próximo;
  • Reduzir o tempo de exposição;
  • Realizar os seguintes procedimentos de higiene e segurança, de acordo com o vídeo exemplificativo:
vídeo

Medidas específicas na prestação de cuidados a Traqueotomizados/ Laringectomizados

  • Os doentes traqueotomizados/ laringectomizados devem cumprir todos os cuidados descritos anteriormente, similarmente aos utentes não suspeitos ou não testados;
  • Os doentes traqueotomizados/ laringectomizados suspeitos ou confirmados com COVID19, devem usar, para além do HME, uma máscara cirúrgica;
  • A adaptação de válvula Passymuir® ou válvula de fala nos pacientes com Covid está contraindicada.

Referências Bibliográficas

Direção-Geral de Saúde. (2020). Orientação No 020/2020. COVID-19: Fase de Mitigação, Cuidados de Reabilitação e Respiratórios Domiciliários. / Direção-Geral de Saúde (2020). Norma 007/2020. Prevenção e Controlo de Infeção por SARS-CoV-2 (COVID-19): Equipamentos de Proteção Individual (EPI). / Givi, B.; Bradley, A.; Steven, B.; Daniel, C.; Gopalakrishna, I.; Scharukh, J.; Michael, G. et al. (2020). Safety Recommendations for Evaluation and Surgery of the Head and Neck During the COVID-19 Pandemic. JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery, 146(6):579-584. https://doi.org/10.1001/jamaoto.2020.0780. / Koh, G. & Hoenig, H. (2020). How Should the Rehabilitation Community Prepare for 2019-NCoV? Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 111 (6), 1068-1071. https://doi.org/10.1016/j.apmr.2020.03.003. / Liang, W.; Guan, W.; Chen, R.;  Wang, W.; Li,J.;  Xu, K.;  Li, C. et al. 2020. Cancer Patients in SARS-CoV-2 Infection: A Nationwide Analysis in China. The Lancet Oncology, 21 (3), 335-337. https://doi.org/10.1016/S1470-2045(20)30096-6. / Sousa, M. &  Gersão, S. (2020). Argumentação e Evidência Científica Para o Uso Generalizado de Máscaras Pela População Portuguesa. Conselho de Escolas Médicas Portuguesas. / Swallowing Rehabilitation Research Center. (2020). Guidance for SLPs During COVID-19 Pandemic. https://steeleswallowinglab.ca/srrl/best-practice/covid-19/. / Ueda, M.; Martins, R.; Hendrie, P.; McDonnell, T.;Crews, J.; Wong, T.; McCreery, B. et al. (2020). Managing Cancer Care During the COVID-19 Pandemic: Agility and Collaboration Toward a Common Goal. Journal of the National Comprehensive Cancer Network, 20,1-4. https://doi.org/10.6004/jnccn.2020.7560. / US Food & Drug Administration. (2020). N95 Respirators and Surgical Masks (Face Masks).  https://www.fda.gov/medical-devices/personal-protective-equipment-infection-control/n95-respirators-surgical-masks-and-face-masks / Speech Pathology Association of Australia. (2020). Guidance for service delivery, clinical procedures and infection control during COVID-19 pandemic https://www.speechpathologyaustralia.org.au/SPAweb/About_us/COVID-19_News_and_Information/COVID-19_-_Guidance_for_Service_Delivery/Kligerman, M.; Vukkadala, N.; Tsang, R.; Sunwoo, J.; Holsinger, F.; Chan, J.; Damrose, E.; Kearney, A.; Starmer, H. (2020). Managing the Head and Neck Cancer Patient with Tracheostomy or Laryngectomy  During the COVID-19 Pandemic”. Head&Neck, 42 (6), 1209-1213. doi: 10.1002/hed.26171

A EQUIPA: DEPARTAMENTO DA VOZ

André Araújo
Coordenador
Sónia Lima
Vice-Coordenador
Gabriela Torrejano
Membro
Pedro Pestana
Membro
Sandra Cruz
Membro

EVENTOS: VOZ

16 Abril 2020 DIA MUNDIAL DA VOZ

Adequando as comemorações do Dia Mundial da Voz à atual situação de pandemia que todos vivemos, o DIA MUNDIAL DA VOZ 2020 será totalmente comemorado online com um programa de parceria entre a SPTF e a Sociedade Portuguesa de Otorrinolaringologia. Associe-se a nós!

21 de Setembro 2019 Tensão muscular relacionada com Perturbações da voz e da deglutição

Quantas vezes em situação de intervenção vocal, o terapeuta ouve “eu não tenho problemas em deglutir, apenas sinto uma pressão quando o faço, como se a comida ficasse presa na garganta”. Geralmente relacionamos estas queixas com Refluxo Esofágico, mas se algo mais estiver a acontecer? Todos já ouvimos falar de Disfonia por Tensão Muscular, Christina Kang leva-nos ao mundo da Disfagia por Tensão Muscular. Christina através da sua prática com estes casos, compartilha como podemos ter em conta a sintomatologia na função da deglutição para a avaliação da qualidade de vida dos utentes.

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