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VOZ2020-05-11T19:57:14+00:00

Project Description

Voz

A Voz é um dos elementos centrais da comunicação humana, estando presente nas mais variadas formas de expressão e interação em contextos sociais, profissionais e artísticos. Assim, ter uma voz saudável contribui para a qualidade de vida e para a funcionalidade comunicativa.

A produção vocal é uma experiência única e individual. Cada um de nós expressa-se vocalmente de acordo com as características da sua condição física, da constituição psicológica e ainda de acordo com o meio em que vivemos. Comunicar pensamentos e emoções é um dos eventos mais importantes do ser humano, a base de sobrevivência psicológica e social, e a voz constitui-se como o seu principal veículo. No sentido mais lato, a voz, pode ser definida fisiologicamente como um som audível resultante da atividade laríngea, com inter-relação complexa entre pressão e velocidade do fluxo de ar expiratório (influenciam a intensidade), os diferentes padrões de adução e abdução das pregas vocais (influenciam a sonoridade) e as propriedades de reflexão e configuração das estruturas do trato vocal (influenciam a ressonância).

A disfonia, ou perturbação da voz, é uma condição de saúde muito comum que pode comprometer a qualidade da comunicação e, consequentemente, a relação social do indivíduo, afetando diretamente a sua qualidade de vida, podendo ocorrer em qualquer altura do ciclo de vida O impacto de uma alteração vocal na qualidade de vida depende da importância da voz relacionada a diversos fatores particulares, inclusive seu uso na profissão, sem necessariamente apresentar relação direta com o grau da disfonia.

O Departamento de Voz da SPTF é o responsável pela dinamização da evolução do conhecimento das perturbações da voz em crianças, jovens e adultos. É constituído por um grupo de profissionais que pretende promover o aumento da qualidade e quantidade de produção científica por parte dos pares e outros profissionais de áreas afins à terapia da fala, com o intuito de fomentar a reflexão, partilha e aprendizagem para um apoio mais eficaz a pessoas com perturbação da voz e suas famílias, contribuindo para a adoção de práticas baseadas na evidência.

Introdução

O presente documento foi redigido no âmbito da pandemia da doença COVID-19, tendo em consideração as medidas adotadas pela República Portuguesa durante as fases de contenção, mitigação e recuperação, nas quais os diversos serviços em que os terapeutas da fala (TF) prestam serviços tiveram que se ajustar a normas especiais de higiene e segurança, bem como de distanciamento social.

O objetivo deste documento é complementar as orientações gerais fornecidas pela Comissão de Inovação e Desenvolvimento da SPTF na área de atuação específica da Voz. Os TF com atuação nesta área apresentam risco acrescido dado estarem em contacto próximo e expostos diretamente a gotículas vindas dos pacientes, nas atividades de fala e exercícios usualmente solicitados durante a avaliação e/ou intervenção. Assim sendo, como medidas gerais, de acordo com as definições das suas entidades empregadoras, deverão adotar temporariamente a prestação de serviços à distância por teleterapia. Nos casos em que haja necessidade de providenciar serviços presencialmente, deverão ajustar-se ao risco relativo de cada situação e adotar medidas de proteções adequadas.

Este documento orientador organiza-se em duas partes com orientações para:

    1. Medidas de higiene e segurança na área da voz, tendo em conta as normas da Direção-Geral de Saúde e outras orientações internacionais que têm vindo a ser redigidas e direcionadas para a prática protegida do TF (Direção-Geral de Saúde 2020; Givi et al. 2020; Koh and Hoenig 2020; Sousa and Gersão 2020; Swallowing Rehabilitation Research Center 2020; US Food & Drug Administration 2020; Ueda et al. 2020; Liang et al. 2020; Speech Pathology Association of Australia 2020);
    2. Teleterapia na área da voz, tendo como referenciais a taxonomia de Van Stan et al. (2015), bem como estudos recentes sobre a intervenção na área da voz à distância (Constantinescu G. et al. 2011; Towey M.P. 2012; Grillo E.U. 2017; Little M.A., et al.; Rangarathnam B.; Santos T.D.; Sherry F.S. et al. 2015).

Ambas as partes estão suportadas por referenciais recentes apresentados por outras associações e sociedades científicas e profissionais na área da Terapia da Fala bem como por literatura científica que sustenta as orientações apresentadas. Para um aprofundamento da leitura apresentam-se as principais referências no final de cada parte.

Medidas de higiene e segurança na área da Voz

Orientações gerais

Assente nas normas Direção Geral de Saúde (DGS):

  • Cada Entidade deve seguir as medidas definidas no seu Plano de Contingência interno.
  • O profissional deve receber formação adequada para o uso correto do Equipamento de Proteção Individual (EPI);
  • A avaliação/intervenção dos profissionais de saúde deve ser garantidamente realizada com a utilização de EPI de acordo com o nível de cuidados a prestar, em conformidade com a Norma 007/2020 da DGS.
  • A ausência total de cuidados de reabilitação poderá ter impacto negativo a curto/médio prazo para aqueles doentes, com elevado risco de diminuição da sua capacidade funcional/estado de saúde.
    • A análise do risco de infeção da intervenção deverá ser calculada em cada serviço, de acordo com as funções do terapeuta da fala e das áreas de intervenção que assegura.
    • Na generalidade das áreas de intervenção da terapia da fala, no quadro de pandemia a terapia vocal presencial não é prioritária na prevenção da infeção, pelo que poderá ser adiada.
  • Consultas e procedimentos terapêuticos cancelados ou adiados poderão, se possível, ser prestados por outro meio de comunicação não presencial;
  • Na generalidade, há evidências científicas de que a terapia vocal providenciada em regime de teleterapia tem um resultado não inferior ao implementado presencialmente (ver capítulo 3 abaixo).
  • Deverá ser abolida qualquer intervenção terapêutica que resulte em tosse, produção de expetoração ou outros procedimentos geradores de aerossóis.
    • Enquadra-se, assim, nesta orientação a terapia vocal, dado vários procedimentos de avaliação e intervenção gerarem aerossóis. São exemplos disto: produção de atividades de avaliação da coordenação respiração-fonação (p.e. TMF, Coeficiente S/Z), ou outros procedimentos como desinsuflar cuf, estimular a tosse, adaptação de válvula de fala (Passymuir), troca de cânulas, limpeza da prótese fonatória, processo de descanulação, avaliação ou intervenção em pacientes que utilizem ventilação não invasiva (VNI); oxigênio nasal de alto fluxo; suporte respiratório por cânulas nasais.
  • Num paciente com COVID-19, e só no caso de ser imprescindível, a realização procedimentos que promovam a libertação de aerossóis só poderão ser efetuados com a utilização de EPI completo, de acordo com as indicações da OMS e da DGS em cada fase de controlo da pandemia. Em linha com as especificidades da área de Otorrinolaringologia (https://www.sporl.pt/covid19), à data da elaboração deste documento incluem-se, máscaras, respiradores FFP2 ou FFP3  e viseira ou óculos, bata descartável, luvas, proteção de calçado e touca (ver quadro abaixo).
Máscara cirúrgica Proteção ocular Máscara FFP2/3 Bata impermeável Luvas Touca
Doente sem sintomas respiratórios e sem exame objetivo X
Doente sem sintomas respiratórios e com exame objetivo que não inclua a via aérea (ex. avaliação percetiva) X X X X X
Doente com sintomas respiratórios agudos X X X X X
Doente que vai ter exame clínico da via aérea (ex. exame de estruturas orofaciais, reflexos orais, etc.) X X X X X
Doente que vai ter exame endoscópico da via aérea (ex. colaboração em laringoscopia ou VEES) X X X X X

Fonte: Adaptado de SPORL-CCP (2020) Recomendações relativas ao risco de infeção pelo COVID-19 [https://www.sporl.pt/covid19]

  •  Se o procedimento clínico não puder ser modificado e se o EPI apropriado não estiver disponível, a interação clínica não deverá prosseguir.

Assim, e ainda seguindo as normas da DGS, deve ser realizada:

  • Avaliação das necessidades individuais de todos os utentes de forma a reduzir o número de contactos presenciais ao mínimo possível;
  • Adequação do plano de cuidados de reabilitação, sempre que possível sem contacto direto com o doente, por meio de ensino de exercícios terapêuticos ou através de sistemas de monitorização e acompanhamento por videochamada (regime híbrido associado a sistemas de telemedicina, telesaúde e e-health).

Se o plano de contingência interno da instituição mantém o terapeuta da fala em funções (para os terapeutas que mantêm atendimento presencial), deverão ser adotadas medidas suplementares como:

  • Cancelar terapias de nível de prioridade baixa de acordo com plano de contingência DGS e dar preferência à teleprática;
  • Se existir mais do que um TF, apenas um deve ficar afeto a doentes COVID-19, procurando medidas de não cruzamento de equipas/profissionais e de períodos de quarentena/descanso, em rotatividade com outros profissionais. Por outro lado, os restantes devem dedicar-se a doentes não-COVID-19;
  • Outras medidas específicas deverão ser adotadas dependendo da presença ou ausência de suspeita ou confirmação de COVID-19, de acordo com os pontos abaixo indicados;
  • Sempre que a evolução epidemiológica e científica demonstre a necessidade de implementação de novas medidas a presente orientação é atualizada em conformidade com diretrizes da DGS.

Cuidados prestados a utentes não suspeitos ou não testados de COVID-19

Medidas gerais

  • Todos os utentes deverão ter uma medição da temperatura à chegada ao serviço (em concordância com os procedimentos de receção e triagem definidos pela instituição), prévia à consulta de terapia da fala;
  • Todos os utentes deverão usar máscara cirúrgica desde a chegada e durante a permanência na unidade de saúde, incluindo a consulta de terapia da fala;
  • Na conversação, o terapeuta da fala deve proteger-se com máscara cirúrgica e luvas e manter distância de segurança (2 m);
  • Durante a consulta deverá reduzir-se a duração de contacto próximo;
  • A realização de exercícios que envolvam expiração forçada, sopro ou produção de gotículas ou aerossóis deve ser evitada. Caso seja essencial a sua realização o utente deverá manter o uso de máscara cirúrgica e o terapeuta deverá posicionar-se a distância de segurança (2 m).
  • Deverá realizar os procedimentos de higiene e segurança de acordo com o apresentado no seguinte vídeo:
Vídeo 1
Vídeo 2

Medidas específicas na prestação de cuidados a Traqueotomizados/ Laringectomizados

  • Devem cobrir sempre o estoma, o nariz e a boca com máscaras cirúrgicas, no ambiente hospitalar e/ ou fora do domicílio independentemente de ser traqueotomizado/ laringectomizado;
  • Todos os traqueotomizados/ laringectomizados devem usar um dispositivo de humidificação, aquecimento e filtração de ar (vulgo HME), por exemplo o HME Micron® ou o ProTrach® XtraCare™ para adaptação na cânula Shiley® ou equivalentes e se possível o adesivo (ambos os dispositivos referidos protegem contra bactérias e vírus acima de 99%);
vídeo
vídeo
  • Ao usar-se o HME [por exemplo, Xtramoist™, Xtraflow™ ou Cassete™ – HME que fixa à válvula de mãos livres] deverá usar-se máscara cirúrgica sobre o estoma;
  • Qualquer tipo de dispositivo fixado à cânula não isenta o uso de máscara cirúrgica sobre o estoma pois não é estanque como o adesivo;
  • Os utentes devem higienizar as mãos antes e depois do contacto destas com o estoma;
  • Aos utentes com prótese fonatória e que assim tenham condições, sugere-se utilizar a válvula de mãos livres para minimizar o contacto das mãos com o estoma;
  • As manobras como a desinsuflação de cânulas e/ou descanulação são geradoras de aerossóis, pelo que devem ser evitadas ou realizadas com as devidas medidas de proteção e com as devidas medidas de higienização das salas de intervenção.

Cuidados prestados a pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19

De acordo com as normas gerais da DGS anteriormente descritas, num paciente com COVID-19, e só no caso de ser imprescindível, a realização de procedimentos que promovam a libertação de aerossóis só poderá ser efetuada com a utilização de EPI completo (nível 2). Neste enquadramento, considera-se que a terapia da voz deverá ser preferencialmente adiada, dado não se tratar de um cuidado de saúde prioritário.

Medidas gerais

Em casos absolutamente excecionais, havendo necessidade de o terapeuta da fala prestar cuidados dentro de uma área de doentes de COVID-19, este deverá:

  • Usar EPI adequado (Norma nº 007/2020) em qualquer atividade durante todo o tempo de permanência na área COVID-19;
  • Evitar contacto próximo;
  • Reduzir o tempo de exposição;
  • Realizar os seguintes procedimentos de higiene e segurança, de acordo com o vídeo exemplificativo:
vídeo

Medidas específicas na prestação de cuidados a Traqueotomizados/ Laringectomizados

  • Os doentes traqueotomizados/ laringectomizados devem cumprir todos os cuidados descritos anteriormente, similarmente aos utentes não suspeitos ou não testados;
  • Os doentes traqueotomizados/ laringectomizados suspeitos ou confirmados com COVID19, devem usar, para além do HME, uma máscara cirúrgica;
  • A adaptação de válvula Passymuir® ou válvula de fala nos pacientes com Covid está contraindicada.

Referências Bibliográficas

  • Direção-Geral de Saúde. 2020. “Orientação No 020/2020. COVID-19: Fase de Mitigação, Cuidados de Reabilitação e Respiratórios Domiciliários.”
  • Direção-Geral de Saúde. 2020. “Norma No 007/2020. Prevenção e Controlo de Infeção por SARS-CoV-2 (COVID-19): Equipamentos de Proteção Individual (EPI)”
  • Givi, Babak, Bradley A Schiff, Steven B Chinn, Daniel Clayburgh, N Gopalakrishna Iyer, Scharukh Jalisi, Michael G Moore, et al. 2020. “Safety Recommendations for Evaluation and Surgery of the Head and Neck During the COVID-19 Pandemic.” JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery, March. https://doi.org/10.1001/jamaoto.2020.0780.
  • Koh, Gerald Choon-Huat, and Helen Hoenig. 2020. “How Should the Rehabilitation Community Prepare for 2019-NCoV?” Archives of Physical Medicine and Rehabilitation. https://doi.org/10.1016/j.apmr.2020.03.003.
  • Liang, Wenhua, Weijie Guan, Ruchong Chen, Wei Wang, Jianfu Li, Ke Xu, Caichen Li, et al. 2020. “Cancer Patients in SARS-CoV-2 Infection: A Nationwide Analysis in China.” The Lancet Oncology. https://doi.org/10.1016/S1470-2045(20)30096-6.
  • Sousa, Marisa, and Sofia Gersão. 2020. “Argumentação e Evidência Científica Para o Uso Generalizado de Máscaras Pela População Portuguesa.” Conselho de Escolas Médicas Portuguesas.
  • Swallowing Rehabilitation Research Center. 2020. “Guidance for SLPs During COVID-19 Pandemic.” 2020. https://steeleswallowinglab.ca/srrl/best-practice/covid-19/.
  • Ueda, M, R Martins, P C Hendrie, T McDonnell, J R Crews, T L Wong, B McCreery, et al. 2020. “Managing Cancer Care During the COVID-19 Pandemic: Agility and Collaboration Toward a Common Goal.” J Natl Compr Canc Netw. https://doi.org/10.6004/jnccn.2020.7560.
  • US Food & Drug Administration. 2020. “N95 Respirators and Surgical Masks (Face Masks).” 2020.
  • Speech Pathology Association of Australia.2020. “ Guidance for service delivery, clinical procedures and infection control during COVID-19 pandemic” https://www.speechpathologyaustralia.org.au/SPAweb/About_us/COVID-19_News_and_Information/COVID-19_-_Guidance_for_Service_Delivery/ Maxwell P.
  • Kligerman, Maxwell P. et al. 2020. “Managing the Head and Neck Cancer Patient with Tracheostomy or Laryngectomy  During the COVID-19 Pandemic”. Head&Neck.  

Teleterapia na área da Voz

A teleterapia na área da voz pode ser utilizada em casos de perturbações da voz ou de habilitação vocal. Deve seguir as recomendações gerais descritas no documento da Comissão de Inovação e Desenvolvimento emitido pela SPTF.

Abaixo, procura-se identificar alguns aspetos relevantes na implementação de atividades de avaliação e intervenção na área da saúde vocal. Aspetos não identificados neste documento deverão ser considerados de acordo com a análise clínica do profissional.

Recomendações sobre Avaliação

Comummente, a avaliação presencial do terapeuta da fala na área da saúde vocal inclui entrevista clínica, avaliação percetiva, avaliação instrumental (p.e. análise acústica da voz) e auto-avaliação do utente por via de questionários.

As normas internacionais prévias à pandemia COVID-19 usualmente limitam a intervenção por teleterapia a casos em que tenha havido uma avaliação presencial prévia quer por parte de um otorrinolaringologista, quer pelo próprio terapeuta da fala.

No quadro atual de pandemia colocam-se dois dilemas:

  1. A avaliação laríngea por parte do ORL é muito limitada devido ao risco de infeção, o que coloca parte dos utentes com perturbações de voz numa situação de ausência de diagnóstico clínico.
  2. A avaliação de terapia da fala presencial é igualmente restrita devido a medidas de isolamento e de afastamento social.

Assim, no quadro atual importa definir procedimentos que permitam dar início a novos processos de intervenção, o que implica que o terapeuta da fala veja o seu processo de avaliação da voz à distância validado.

A avaliação vocal realizada pelo terapeuta da fala é complementar à avaliação realizada pelo ORL. Contudo, neste contexto pandémico e estando o ORL impossibilitado de avaliar e diagnosticar, é possível que decida que o terapeuta da fala possa prosseguir com a sua avaliação e intervenção, perante casos de disfonia que apresentem uma forte componente comportamental.

Nos casos em que não se verifique perturbação da voz, havendo necessidade de trabalho de habilitação vocal, a avaliação do terapeuta da fala poderá ser realizada.

Relativamente ao processo de avaliação à distância, importa refletir sobre a validade dos procedimentos/ resultados, bem como quais as adaptações a realizar.

No que respeita a cada fase do processo de avaliação consideram-se relevantes/ possíveis as seguintes adaptações (embora outras possam também ser válidas):

  1. Entrevista clínica

Pode ser feita à distância com um resultado equivalente ao presencial, por videoconferência, telefone ou e-mail e recorrendo a questionários complementares

2. Avaliação percetiva

Os dados de avaliação áudio-percetiva são passíveis de realizar à distância por via de vídeos síncronos ou assíncronos, ou gravações áudio. Contudo há que considerar possíveis afeções do sinal devido aos variados sistemas de captação, emissão e reprodução na análise realizada. De forma a salvaguardar a consistência interna é recomendado que cada caso seja reavaliado nas mesmas condições.

No que respeita à avaliação vísuo-percetiva, embora possível à distância, deverão ser tomados cuidados especiais no processo de recolha de imagem, o que implica orientações específicas para o posicionamento dos equipamentos de recolha do utente.

Quanto à avaliação manual, a limitação que a distância implica é elevada, embora possa ser minimizada por questões dirigidas ao utente, tendo em consideração a sua propriocepção, assim como a sua capacidade de compreensão da manobra pedida.

As tarefas de avaliação ou comportamentos vocais solicitados durante a avaliação funcional poderão ser os mesmos que numa avaliação presencial, ou ajustados pelo terapeuta da fala de acordo com as condicionantes da pessoa e do meio. O mesmo acontece com os protocolos de avaliação selecionados, caso os mesmos ainda não possuam versões de aplicação à distância.

3. Avaliação instrumental

A análise acústica da voz é a principal forma de avaliação instrumental/objetiva utilizada pelos terapeutas da fala em contexto presencial. Contudo, numa avaliação à distância, devido à impossibilidade de controlar a maior parte dos fatores associados à captação e tratamento do sinal sonoro, que dependem diretamente dos equipamentos do utente, esta pode ter limitações que devem ser consideradas.

A avaliação à distância permite a gravação do sinal sonoro, sendo importante orientar o utente para a distância do microfone à boca, mantendo-a de forma constante, de modo a evitar a saturação do sinal e salvaguardar alguma fiabilidade na avaliação.

Os sinais poderão ser gravados pelo terapeuta ou pelo utente e posteriormente enviados para análise, preferencialmente em formato WAVE. A análise em softwares de avaliação é possível, embora se deva tomar em consideração que parâmetros como a F0 poderão sofrer menos alterações do que outros, como intensidade, formantes mais elevados e medidas de perturbação, que poderão ser mais suscetíveis aos processos de filtragem de som.

4. Auto-avaliação do utente

A autoavaliação é realizada normalmente por via de questionários de autoadministração. Num cenário de avaliação à distância, estes questionários podem ser recolhidos antes ou depois da avaliação, por e-mail ou por outra via de comunicação.

Recomendações sobre Intervenção

No que respeita à intervenção na área de saúde vocal já existem vários estudos que evidenciam a não minoridade da intervenção à distância quando comparada com a terapia presencial (ver lista de referências abaixo). São exemplos disso programas de promoção de saúde vocal ou o Lee Silverman Voice Treatment.

De acordo com a taxonomia da terapia vocal (Van Stan et al., 2015), a terapia vocal convencional pode ser prestada por via direta, indireta ou combinada. Na prática de teleterapia, considerando a natureza da interação, as abordagens de intervenção indiretas deverão ser mais facilmente mantidas, uma vez que resultam da interação terapêutica com o utente e maioritariamente será este a desenvolver e implementar o seu plano de intervenção. Nesta modalidade valoriza-se a integração do cuidador e da possibilidade de avaliar ou intervir em contextos naturais.

Contudo, os estudos consultados referem a utilização das intervenções diretas também em teleterapia. De acordo com a mesma taxonomia estas incluem um conjunto muito diversificado de técnicas e estratégias terapêuticas e organizam-se em intervenções de natureza musculoesquelética, respiratória, de função vocal, auditiva e somatossensorial.

No caso da teleterapia na área da saúde vocal torna-se evidente que algumas das técnicas (embora não todas) usadas nas áreas musculoesquelética e respiratória podem ser difíceis de implementar plenamente à distância, uma vez que estão dependentes da manipulação por parte do terapeuta. Nestes casos, a recomendação passa por:

a) habilitar os utentes à autoadministração destas técnicas

b) recorrer à monitorização dos exercícios por via visual e auditiva (com as devidas adaptações na captação de imagem já descritas) em vez de manual

c) pelo desenvolvimento de estratégias em que o próprio utente reconheça, descreva e modifique o seu comportamento motor/ vocal, ou seja aumentando o recurso à propriocepção e às restantes estratégias incluídas nos domínios auditivo e somatossensorial.

A realização de exercícios em casa deverá ser ajustada aos meios que o utente tenha acesso e os materiais necessários deverão ser antecipadamente comunicados para que a sessão decorra com a maior normalidade possível. São exemplos de materiais: tubos/ palhinhas, bandas elásticas, espelho, massajadores, entre outros.

O feedback pode ser assegurado de forma síncrona ou assíncrona usando recursos como partilha de ecrã, gravações ou utilização de software de biofeedback vocal, gratuito ou pago que o utente possa adquirir, assim como de aplicações para dispositivos móveis.

Uma das limitações usuais poderá estar relacionada com os processos de cancelamento de ruído que os sistemas de videochamada utilizam e que tendem a cancelar ruídos constantes. Estes mecanismos afetam a emissão de comportamentos como vogais ou fricativas sustentadas e poderão ser contornados com instruções/estratégias visuais, ou com uso de gravações em vez que emissões síncronas.

Evidência científica disponível

Citação/link

Constantinescu G. et al. (2011) / https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.3109/13682822.2010.484848

Objetivo Metodologia Resultados Conclusões Observações
Investigar a validade e confiabilidade da intervenção on-line com o Método Lee Silverman Voice treatment (LSVT) para perturbações de fala e voz em doentes de Parkinson. Estudo transversal, comparativo entre 2 grupos de participantes, randomizado e controlado, sobre as variáveis: nível médio de intensidade vocal, tempo máximo de fonação, nível máximo de F0, precisão articulatória e inteligibilidade de fala.– População:34 doentes com Parkinson e disartria hipocinética leve a moderada– 17 submetidos a LSVT através de videoconferência e 17 submetidos a LSVT presencial– 128kb por segundo de conexão de internet. Em relação à modalidade on-line, foram atingidos igualmente os objetivos de aumento de intensidade sonora nas tarefas de conversação; as diferenças do ambiente em LSVT não foram significativas bem como algumas dificuldades de sinal de rede; a satisfação do participante foi relatada como significante.   O tratamento on-line para disartria hipocinética associada à doença de Parkinson parece ser clinicamente Válido e confiável – a proficiência em computadores por parte dos participantes não era critério de inclusão;– o sistema acústico de captação, emissão e análise em ambos as modalidades foram controlados presencialmente 

Towey M. (2012) / https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4296819/pdf/v4n1-art-10.5195-ijt.2012.6095.pdf

Objectivo Metodologia Resultados Conclusões Observações
Verificar o impacto na teleprática quanto à poupança de custos e redução de deslocações no atendimento a utentes com VCD ou Perturbação vocal por Movimento Paradoxal das Pregas Vocais. Foram selecionados

7 utentes do sexo feminino com idade média de 17,4 anos (11-38 anos)Com diagnóstico de VCD, de situação geográfica longe e comorbilidades. Foram realizados entre 1 a 4 contactos on-line dependentemente da necessidade sintomática.

O tratamento resultou em resultados bem-sucedidos para todo o grupo. Testes médicos adicionais foram cancelados, medicamentos relacionados foram descontinuados e consultas médicas e de emergência para tratamento dos sintomas foram eliminadas. O estudo sugere que, sem acesso à teleprática  para pacientes com VCD, os custos médicos para a instituição serão contínuos e significativos Avaliação é feita presencialmente (ORL e TF). A intervenção do terapeuta da fala tem como objetivo um acompanhamento indireto.

Santos T., Pedrosa V., Behlau, M. (2015) / http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v17n2/en_1982-0216-rcefac-17-02-00385.pdf

Objetivo Metodologia Resultados Conclusões Observações
Verificar as diferenças no atendimento fonoaudiológico à distância e presencial a jornalistas de telejornal. Estudo retrospetivo. Oito repórteres receberam acompanhamento fonoaudiológico virtual e oito receberam acompanhamento presencial. Para análise foram utilizadas cópias de duas reportagens, de períodos diferentes (pré e pós- intervenção). As reportagens foram gravadas e analisadas aleotoriamente por juízes fonoaudiólogos especialistas em voz através de protocolos específicos ( um para avaliação do desempenho na tarefa e de naturalidade dos profissionais e outro para análise auditiva e visual dos parâmetros vocais e interpretativos) Verificaram-se alterações positivas em ambos os grupos. Os repórteres passaram a emitir as notícias de forma mais natural O estudo mostra que tanto o atendimento presencial quanto o virtual promovem a melhora no desempenho vocal e comunicativo dos profissionais de telejornalismo confirmando a viabilidade e o resultado da modalidade virtual na prática fonoaudiológica.  A avaliação em amos os grupos foi feita da mesma forma. As estratégias para as mudanças nos comportamentos visuais e vocais são efetivas mesmo sem presença do fonoaudiólogo

Sherry Fu S., Theodoros D, Ward E.(2015) / https://www.jvoice.org/article/S0892-1997(14)00269-0/fulltext

Objectivo Metodologia Resultados Conclusões Observações
Examinar os resultados da voz e as perceções dos participantesapós terapia vocal intensa para nódulos nas pregas vocais por teleprática Estudo piloto experimental

Grupo de 10 mulheres com nódulos bilaterais sujeito terapia intensiva por videoconferência (Skype). Foi realizada 1 sessão em grupo presencial de promoção de saúde vocal e 8 sessões em 3 semanas à distância. 

Verificaram-se melhorias significativas nos parâmetros percetivos, da função das pregas vocais, acústicos e fisiológicos, redução do tamanho dos nódulos e na perceção do paciente sobre a qualidade de vida relacionada à voz após o tratamento. A satisfação dos participantes sobre a experiência foi altamente positiva. teleprática.  Demonstra benefícios da teleprática em tratamentos intensivos para perturbações de voz relacionadas com nódulos vocais, podendo ser recomendada A avaliação em ORL e terapia da fala antes e após terapia foi presencial.

Foi usado uma webcam de 5 milhões de pixels móvel e com 6 lâmpadas led. Microfone usado

pelo terapeuta e pelo cliente para reduzir ruído do ambiente

As tarefas palavras, frases, texto eram executados pré e pós terapia e enviadas previamente por mail.

TPC de 15 min 2x em dias de não terapia e 1x nos dias de terapia. Foi usado

Lessac.Madson ressonant voice therapy program.

Little MAMcSharry P, Hunter E, Spielman J & Raming L (2011) / https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3051371/pdf/nihms-118450.pdf

Objetivos Metodologia Resultados Conclusões Observações
Avaliar o valor prático das medidas tradicionais e não padronizadas existentes para discriminar pessoas saudáveis ??de pessoas com doença de Parkinson (DP) através da deteção de disfonia. Análise de uma amostra de 195 vogais sustentadas de 31 participantes dos quais 23 diagnosticados com PD entre os 46 e 85 anos.

Foi introduzida uma nova medida de disfonia, a Entropia do Período de Afinação (EPI), robusta a muitos efeitos incontroláveis ??de confusão, incluindo ambientes acústicos ruidosos e variações normais e saudáveis ??na frequência da voz. Foram selecionamos 10 medidas altamente não correlacionadas, e uma pesquisa exaustiva de todas as combinações possíveis.

Verificou-se que os métodos não padronizados, combinados às relações harmônicas / ruído tradicionais, são mais capazes de distinguir indivíduos saudáveis ??de indivíduos com DP. Os métodos não padronizados selecionados são robustos a muitas variações incontroláveis ??no ambiente acústico e em assuntos individuais e, portanto, são adequados para aplicações de telemonitoramento.

Rangarathnam BMcCullough GPickett HZraick RTulunay-Ugur OMcCullough K. (2015) / https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25836732

Objetivo Metodologia Resultados Conclusões Observações
Investigar a utilidade da teleprática no fornecimento de exercícios de fonação de fluxo para pessoas com disfonia de tensão muscular primária (DTM). 14 participantes com diagnóstico de MTD, 7 no presencial e 7à distância. Cada participante recebeu 12 sessões de tratamento em 6 semanas. O tratamento consistiu em exercícios de terapia de voz por fonação de fluxo. Medidas perceptivo-auditivas, acústicas, aerodinâmicas e de qualidade de vida foram tomadas antes e após o tratamento presencialmente. As medidas percetivas e de qualidade de vida foram significativamente melhores após o tratamento e foram estatisticamente equivalentes entre os grupos. As medidas acústicas e aerodinâmicas melhoraram nos dois grupos, mas as mudanças não atingiram significância estatística. Os resultados para os dois grupos de prestação de serviços foram comparáveis, sem diferenças significativas observadas nas medidas percetivas e de qualidade de vida. Não se verificou  evidências para o uso da teleprática no tratamento comportamental de pacientes com DTM. Os resultados deste estudo indicam que os exercícios de fonação de fluxo podem ser utilizados com sucesso em pacientes com DTM usando teleprática.

Grillo EU (2017) / https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5590670/

Objectivo Metodologia Resultados Conclusões Observações
Descrever o Modelo Global de Prevenção de Voz (GVPM) para professores universitários através de um aplicativo para smartphone VoiceEvalU8 (aplicativo) usado para avaliar a eficácia do Modelo. 21 participantes completaram 1 de 3 condições: 8 presencial, 6 em teleterapia e 7 num grupo de controlo. As condições presenciais e de teleprática duraram 4 semanas, sendo 1 semana dedicada à educação vocal e higiene vocal e 3 semanas dedicadas ao treinamento vocal. A condição de controle durou 1 semana e incluiu apenas educação vocal e higiene vocal. O aplicativo VoiceEvalU8 foi usado nas condições pré e pós, duas vezes ao dia, durante 5 dias, para gravar medidas de voz acústicas, perceptivas e aerodinâmicas. Resultados acústicos preliminares para frequência fundamental (F0) e% de jitter são apresentados pré e pós-condição. Durante a primavera de 2017, os participantes ensinaram e usaram o aplicativo VoiceEvalU8 para gravar as medidas de voz antes e depois do dia inteiro. O estudo está está em andamento pelo que não apresenta conclusões cabais. O modelo propõe aprendizagem de estratégias de em níveis de autoregulação no uso da aplicação. Foram dadas estratégias e materiais para assegurar distância do microfone para captação de voz

Referenciais e literatura de suporte

  • Constantinescu G. et al. (2011) Treating disordered speech and voice in Parkinson’s disease online: a randomized controlled non-inferiority trial. INT J LANG COMMUN DISORD. 468(1): 1–16. doi: 10.3109/13682822.2010.484848.
  • Grillo EU (2017) An Online Telepractice Model for the Prevention of Voice Disorders in Vocally Healthy Student Teachers Evaluated by a Smartphone Application. Perspect ASHA Spec Interest Groups. 2(3): 63–78. doi: 10.1044/persp2.SIG3.63
  • Little MA, McSharry PE, Hunter EJ, Spielman J & Raming LO (2011) Suitability of dysphonia measurements for telemonitoring of Parkinson’s disease. IEEE Trans Biomed Eng. Author manuscript; 56(4): 1015. doi:10.1109/TBME.2008.2005954.
  • Rangarathnam BMcCullough GHPickett HZraick RITulunay-Ugur OMcCullough KC (2015)
  • Telepractice Versus In-Person Delivery of Voice Therapy for Primary Muscle Tension Dysphonia. Am J Speech Lang Pathol.;24(3):386-99. doi: 10.1044/2015_AJSLP-14-0017.
  • Santos TD, Pedrosa V, Mara Behlau M (2015) Comparison of virtual and present speech voice therapist service in television journalism professional. Rev. CEFAC. 17(2):385-395
  • Sherry Fu S., Theodoros DG, Ward EC (2015) Delivery of Intensive Voice Therapy for Vocal Fold Nodules Via Telepractice: A Pilot Feasibility and Efficacy Study. Journal of Voice, volume 29, ISSUE 6, P696-706
  • Towey M.P. (2012) Speech Therapy Telepractice for Vocal Cord Dysfunction (VCD): MaineCare (Medicaid) Cost Savings. International Journal of Telerehabilitation. 4(1): 33-36. doi: 0.5195/ijt.2012.6095 
  • Van Stan et al. (2015) A Taxonomy of Voice Therapy. American Journal of Speech-Language Pathology. 24(2): 101–125. Doi: 10.1044/2015_AJSLP-14-0030

Links de suporte para teleterapia

(ver se necessário)

– vídeo promovido pela  American Speech-Language-Hearing Association com testemunhos sobre a mais valia da teleprática como recurso para os SLPs fornecerem serviços aos clientes por meio de software de videoconferência para superar as barreiras de acesso aos serviços causadas pela distância, indisponibilidade de especialistas e / ou mobilidade prejudicada (https://youtu.be/R4s20-faVI8)

– vídeo promovido por uma SLP Sarah Wu de demonstração sobre a plataforma de zoom para uso em teleterapia

(https://www.youtube.com/watch?v=EILW2YGKq7U)

– vídeo promovido por uma SLP com demonstração de como agendar e iniciar uma sessão de teleterapia no Zoom. Mostra as etapas para compartilhar sua área de trabalho e utilizar cartões de expansão em wow.boomlearning.com (https://www.youtube.com/watch?v=fi4S2Ju7QtI); outro semelhante

– Audio setting no Zoom

 (https://www.youtube.com/watch?v=wkG7yOTRIAk)

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