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Audição2021-03-03T14:35:02+00:00

Project Description

Audição

A audição é o primeiro dos cinco sentidos desenvolvido pelo ser humano. Tem um papel determinante nos processos de perceção, da fala e da comunicação, facilitando assim a interação com as pessoas que estão à nossa volta.

A audição é um sentido inteligente que funciona como um recetor especializado que recebe e interpreta os estímulos externos.

A perturbação ou alteração de Audição pode estar presente desde o nascimento, ocorrer durante infância ou mais tarde em qualquer momento da vida. As causas da perda da audição são variadas, assim como os seus sintomas. A sua perda ou comprometimento, interfere de forma importante na comunicação e na qualidade de vida das pessoas.

O Departamento de Audição da SPTF é o responsável pela dinamização da evolução do conhecimento do impacto da surdez e das alterações do processamento auditivo na comunicação humana. É constituído por um grupo de profissionais que pretende promover o aumento da qualidade e quantidade de produção científica por parte dos pares e outros profissionais de áreas afins à terapia da fala, com o intuito de fomentar a reflexão, partilha e aprendizagem para um apoio mais eficaz a crianças, jovens e adultos com perturbações da Comunicação decorrentes de surdez ou perturbações do processamento auditivo, contribuindo para a divulgação e adoção de práticas baseadas na evidência.

A Audição e o Desenvolvimento da Linguagem

A surdez é o défice sensorial mais frequente na população mundial afetando mais de 430 milhões de pessoas segundo dados da Organização Mundial de Saúde em março de 2021. Estima-se que 1 a 3 em cada 1000 bebés recém-nascidos saudáveis nasce com surdez bilateral significativa. Em recém-nascidos de risco os números são muito mais expressivos: 20 a 40 em cada 1000 bebés podem apresentar alterações auditivas.

A surdez caracteriza-se por limitação da perceção de sons. Dificuldades na perceção dos sons da fala podem ter consequências negativas a nível do desenvolvimento típico da comunicação, da linguagem, da sociabilização e da aprendizagem da leitura e escrita. A perceção de fala implica a perceção de sons de diferentes frequência e intensidades,  com grande variabilidade de poder acústico.

A frequência do som indica se é mais agudo ou grave. Os sons da fala têm frequências que estão concentradas entre os 500 e os 4000 Hertz (Hz).

A intensidade dos sons, ou seja, se os sons são altos ou baixos, é medida em decibéis (dB). Considera-se que há perda auditiva se há dificuldade em detetar sons nas várias frequências auditivas com intensidade maior que 20 décibeis. A surdez pode ser caraterizada relativamente a diferentes parâmetros. Na tabela seguinte, apresenta-se a classificação dos graus de perda auditiva.

Grau de perda auditivaValores em décibeisImpacto social
Ligeiro21-40 dBSons do ambiente são percecionados. Fala é percecionada se a intensidade de voz for normal e o interlocutor está próximo.
Moderado41-70 dBAlguns sons do ambiente são percecionados. Fala é percecionada se a intensidade de voz for elevada e é necessário acesso visual à face do interlocutor para facilitar a compreensão da mensagem.
Severo71-90 dBSão percecionados sons intensos. Sons de fala podem ser percecionados se o interlocutor falar alto e próximo do ouvido.
Muito Severo91-119 dBSó são percecionados sons muito intensos. Sons de fala não são percecionados.
Perda Total120 dBNão há perceção de sons.

Tabela 1- Graus de perda auditiva segundo classificação do International Bureau for Audiophonology

No que se refere ao tipo, a surdez pode ser de condução, neurossensorial ou ter componentes de ambos os tipos e ser uma surdez mista. As alterações neurossensoriais indicam alterações nas células da cóclea que transformam o som em impulso elétrico e o conduzem ao cérebro não funcionam corretamente. A surdez neurossensorial é, até ao momento, irreversível. Há ajudas técnicas específicas para estas limitações auditivas que permitem o acesso auditivo.

Figura 1. Anatomia do ouvido

As causas de perda auditiva em bebés podem ser variadas:

  • infeções durante a gravidez, como toxoplasmose ou citomegalovírus;
  • diabetes gestacional, uso de álcool ou drogas durante a gravidez;
  • prematuridade;
  • complicações no parto;
  • uso de antibióticos ototóxicos durante a gravidez ou primeiros meses de vida do bebé;
  • causas genéticas (mais de 50% dos casos).

Sinais de alerta na infância

Há sinais a que é importante estar atento porque é essencial detetar alterações auditivas precocemente. As Recomendações para o Rastreio Auditivo Neonatal Universal (RANU), indicam que TODAS as crianças nascidas em Portugal devem ter a sua audição rastreada nos primeiros 30 dias de vida.

Nos primeiros meses de vida o bebé deve:

  • reagir a sons intensos;
  • acordar quando ouve sons fortes;
  • responder à voz dos outros (sorrindo, por exemplo);
  • acalmar-se com vozes familiares;
  • dirigir-se a brinquedos que fazem som;
  • virar a cabeça em direção a sons;
  • balbuciar.

Entre o ano e os dois anos, o bebé deve:

  • repetir sons simples;
  • entender pedidos simples;
  • fazer sons para chamar a atenção do adulto;
  • responder ao nome;
  • usar palavras simples;
  • ouvir histórias e músicas com interesse;
  • apontar para objetos e nomeá-los.

Em crianças maiores alguns sinais de perda auditiva podem ser:

  • pedir às pessoas que repitam a informação várias vezes;
  • ter alterações de fala;
  • não responder quando chamam o seu nome;
  • pôr a televisão, rádio ou tablet muito alto;
  • responder fora do tema a questões que lhe foram feitas;
  • queixar-se de dores ou sensações estranhas nos ouvidos
  • não perceber o que é dito ao telefone;
  • estar muito atento à face das pessoas quando falam e ter mais dificuldade em perceber o que é dito quando está de costas ou em locais ruidosos;
  • falar muitas vezes demasiado alto.

A audição é essencial para o desenvolvimento da linguagem oral e da fala. Os bebés adquirem linguagem/fala por imersão linguística, ou seja, quando participam em atividades contextualizadas em que é usada linguagem com parceiros mais competentes. É desta forma que vão associando as palavras aos conceitos e que se vão apercebendo das características acústicas dos sons do ambiente e da fala.

As implicações ao nível da aquisição de linguagem e fala dependerão do tipo de e grau de limitação auditiva que a criança apresenta, das características do ambiente e do uso de ajudas técnicas nos casos em que são recomendadas. Mesmo as crianças que apenas têm ou tiveram otites muito frequentes (2 ou 3 num ano) podem apresentar dificuldades em discriminar sons de fala muito parecidos.

É essencial um acompanhamento médico especializado assim como intervenção precoce (entre os três e os seis meses de idade segundo o RANU) especialmente nos casos de perda auditiva bilateral significativa.

Uma vez que o conhecimento dos sons da fala é a base da aprendizagem da leitura e escrita da maior parte dos métodos usados, muitas vezes as crianças com limitações auditivas precisam de suporte educativo e terapêutico adicional.

Referências bibliográficas
  • Monteiro, L. e Trigueiros, N. (2018). Audiologia, Som e Audição: das bases à clínica. Monteiro, L. e Subtil. J. (eds.). Lisboa: Grafisol – Artes Gráficas.
  • Monteiro da Costa, I. (2016). Desenvolvimento Típico da Comunicação e Linguagem – 0 aos 5 anos de idade. In Monteiro, L. e Subtil, J. (Ed.), Otorrinolaringologia Pediátrica (pp. 289). Lisboa: Grafisol – Artes Gráficas.
  • Rebelo, A. E Vital, P. Desenvolvimento da Linguagem e Sinais de Alerta: Construção e Validação de um Folheto Informativo. Re(habilitar) – Revista da ESSA 2006:2: 69-98.
  • MacIver-Lux, K., Lim, S., Rhoades, E., Robertson, L., Quayle, R., and Hönck (2016). Milestones in Auditory-Verbal Development: Auditory Processing, Speech, Language, Emergent Literacy, Play, and Theory of Mind. In Estabrooks, W., MacIver-Lux, K. e Rhoades, E. (Ed.), Auditory-Verbal Therapy For Young Children with Hearing Loss and Their Families, and the Practitioners Who Guide Them (pp. 219-284). San Diego: Plural Publishing.

A EQUIPA: DEPARTAMENTO DA AUDIÇÃO

Susana Capitão
Coordenador
Tânia Lavra
Vice-Coordenadora
Ana Sofia Lopes
Membro
Marisa Alves
Membro
Sofia Lynce de Faria
Membro

EVENTOS: AUDIÇÃO

Dia Mundial da Audição 2021

A SPTF comemora com a Organização Mundial de Saúde o Dia Mundial da Audição. Ao longo do dia serão divulgados diferentes conteúdos nas redes sociais e site da SPTF, incluindo as principais conclusões do 1º Relatório Mundial sobre Audição (tradução para português do Departamento de Audição da SPTF com autorização da OMS)

MATERIAIS PARA SI!

DIA INTERNACIONAL DO IMPLANTE COCLEAR

A 25 de fevereiro comemora-se o Dia Internacional do Implante Coclear contabilizando mais de 60 anos de uso deste dispositivo biomédico.

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